11/04/2025
Recrutar é simples. Difícil é decidir com justiça.
Contratar alguém próximo — um amigo, um familiar, alguém por quem temos estima — parece, à primeira vista, uma escolha segura. Afinal, confiamos, conhecemos, temos história. Mas é também aí que mora o risco.
Os vínculos emocionais afetam o discernimento. Tornam mais difícil separar a lealdade da competência. E, sobretudo, dificultam uma decisão inevitável quando o desempenho não corresponde: desligar.
Falo por experiência. Já mantive alguém numa função além do tempo adequado. E sabia, internamente, que aquela pessoa — por mais que gostasse dela — não era a ideal para o cargo. O impacto foi claro: prejuízo para a equipa, para o projeto, e até para a própria pessoa.
Liderar exige coragem. Ser justo nem sempre é fácil, mas é necessário. Deixar alguém permanecer onde não deve estar, só porque temos um vínculo pessoal, é um erro de gestão.
Hoje, antes de contratar alguém próximo, faço sempre a mesma pergunta:
“Se não corresponder, terei coragem de desligar essa pessoa?”
Se a resposta for não, então também não devo contratar.
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