20/05/2026
O Carlos dá um murro na mesa da sala de reuniões, exausto.
“O problema desta empresa são as pessoas. Ninguém veste a camisola. Ninguém tem iniciativa. Se eu não andar em cima de tudo, é o descalabro.”
Ele acredita nisto com todas as forças.
Sente-se o mártir da sua própria PME, a carregar o piano sozinho.
Do outro lado da parede, na copa, a equipa bebe café em silêncio.
O sentimento é unânime, mas ninguém tem coragem de o dizer na cara:
“O problema desta empresa é o Carlos. Centraliza tudo, muda as prioridades a meio da semana, não confia em ninguém e depois queixa-se de que não mostramos autonomia. É impossível trabalhar assim.”
Anos nisto.
Um ciclo de frustração mútua, alimentado a sorrisos amarelos e desabafos de corredor.
Até ao dia em que entram numa sala com a abordagem WHUAU.
Sem dinâmicas de grupo fofinhas.
Sem slides sobre “sinergias“ ou “comunicação empática“.
A trainer não está lá para ser simpática.
Está lá para rebentar a bolha.
A meio da sessão, a verdade nua e crua é atirada para o centro da mesa:
– “Carlos, dizes que eles não têm iniciativa. Mas da última vez que alguém tomou uma decisão sem te perguntar, o que é que tu fizeste?“
Silêncio na sala.
– “Deste um raspanete à frente de toda a gente. Tu não queres iniciativa, queres obediência.“
O Carlos engole em seco.
Mas o holofote vira-se imediatamente para a equipa:
– “E vocês? Queixam-se de que ele é um ditador controlador. Mas quantas vezes se chegaram à frente para assumir a responsabilidade de um erro, sem se esconderem atrás do “foi o chefe que mandou”?“
O ego do líder esvazia-se.
A vitimização da equipa cai por terra.
De repente, ninguém se pode esconder atrás da desculpa de que “o problema são os outros“.
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Quando olhas para a tua equipa e pensas “o problema são eles”… já tiveste a coragem de te perguntar o que é que eles dizem de ti quando vais tomar café?