21/04/2026
A minha amiga Cristina Carvalho partilhou há dias um artigo sobre como as mulheres com mais de 50 anos podem ser o futuro do trabalho na era da IA — e fiquei a pensar nisso no contexto do imobiliário.
Há um tipo de profissional que quase nunca aparece nas campanhas de recrutamento, nem nas conversas sobre “o futuro do sector”… mas que, na prática, muitas vezes já está a fazer o trabalho mais difícil.
Falo de mulheres com mais de 50 anos.
Muitas chegam a esta fase depois de percursos tudo menos lineares — pausas, mudanças de rumo, recomeços. E talvez por isso trazem algo que é difícil de explicar num CV, mas muito fácil de reconhecer no terreno.
Sabem ler pessoas. Sabem quando acelerar… e quando não vale a pena forçar.
Sabem estar presentes sem pressionar.
E quem trabalha no imobiliário sabe o peso disto. Nem tudo é timing e oportunidade — muitas vezes é confiança, é escuta activa, é perceber o momento em que está a vida de quem está do outro lado.
Num sector onde lidamos com decisões grandes (e emocionais), isso não é um detalhe.
Ao mesmo tempo, vejo que continuam muitas vezes fora do radar. Como se experiência fosse sinónimo de rigidez. Como se "adaptação" tivesse prazo de validade.
Mas a verdade é quase o contrário.
Muitas destas profissionais já se reinventaram mais do que uma vez. Já atravessaram fases boas e más do mercado. Já aprenderam — na prática — a trabalhar com incerteza.
E hoje, talvez estejam mais focadas no que realmente importa: fazer um bom trabalho, com consistência, sem “ruído”.
Não se trata de romantizar nem de criar rótulos.
Mas talvez valha a pena perguntar:
quantas boas profissionais estamos a deixar passar porque não encaixam no “perfil típico” que imaginamos?
No imobiliário, onde tudo gira à volta de relações, confiança e tempo… isso pode estar a custar-nos mais do que pensamos.