09/01/2020
SITUAÇÃO MUITO INTERESSANTE!
Quem me conhece sabe que gosto muito de planejar as minhas ações a curto, médio e longo prazo. E sempre que faço um mate e me ponho a ler e estudar, ando longe do meu rincão buscando a profissionalização e valorização da criação ovina. Trago uma boa experiência da cadeia avícola, o que me facilita muito a compreensão de algumas coisas e o desafio de mudar outras.
Ontem a noite conversava com um corretor de cordeiros e este me dizia que estava pagando um preço "top" de R$7,50/kg de cordeiro gordo. Não consegui conter a gargalhada irônica naquele momento! Veja bem, este mesmo valor “top” já estava sendo ofertado em outubro/novembro quando o preço do boi estava em torno de R$5,50 e com toda a sobre oferta de cordeiros para as festas de final de ano.
Neste momento o preço do boi diariamente oscila tanto que muitos produtores estão segurando seus bois/vacas e "vendendo" (ou botando fora!) seus cordeiros pelo mesmo preço que estavam oferecendo antes da turbulência do mercado de bovinos, desconsiderando totalmente a relação de valores que já estava ocorrendo, para simplesmente estufarem o peito e dizerem que venderam o gado “a tanto!” (mesmo que tenham perdido bem mais dinheiro na venda dos cordeiros por valores aviltados!).
Isso tudo acontecendo em um momento em que a carne ovina já não é mais aquela proteína sem valor, onde era dispensado o altar do fogo de chão dos galpões para servir de “desayuno” aos trabalhadores rurais. Hoje esta carne se tornou uma iguaria disputada, entre outros, pelas grandes redes de churrascarias, supermercados, e constando do mais seleto rol de receitas dos “chefs”.
Em resumo, a carne ovina sendo reconhecida como alimento nobre e a ovinocultura novamente sendo desprestigiada pelo próprio criador, sendo encarada como uma atividade econômica marginal, mas que em alguns casos serve inclusive para sustentar a propriedade neste período de incertezas no mercado de bovinos, agravada pela estiagem que afeta o Rio Grande do Sul neste verão.
Agora me deparo com uma matéria do jornal uruguaio El País anunciando o incremento da capacidade de exportação de carne ovina com osso para os EUA e a iminente habilitação para atender ao mercado do Japão, além do mercado chinês que já está ativo.
Também nos inteiramos que os vizinhos do Uruguai já planejam outros passos neste mercado internacional, querendo disputar nichos com os grandes, Nova Zelândia e Austrália, e exportar até mesmo carne de animais adultos para o Peru.
O mercado brasileiro se socorre no Uruguai para conseguir suprir a sua fraca necessidade, e isso é necessário mesmo que o consumo brasileiro ande entre 450 - 600 gramas per capita/ano (ou módicos dois bifes/pessoa/ano!).
E agora... Como ficarão os preços aqui no Brasil com este redirecionamento das exportações ovinas uruguaias? Vamos começar a dar valor para o que produzimos ou continuaremos tratando a ovinocultura como uma atividade sem importância?
Habrá cinco compartimentos ovinos más produciendo durante el 2020. Pablo Antúnez Con la sumatoria de otros cinco compartimentos ovinos de alta bioseguridad a los 10 que estuvieron operativos en 2019, este año la oferta de corderos pesados para enviar hacia Estados Unidos como carne ovina c