17/08/2026
HÁ FLORES DEPOIS DA DOR
Há alguns dias, olhei para um pessegueiro que parecia completamente seco. Restavam apenas gravetos nus, sem folhas, flores ou qualquer sinal de vida. Parecia ter terminado seu ciclo.
Hoje, porém, pequenas flores começaram a surgir em seus galhos, como se a natureza me lembrasse de uma de suas leis mais silenciosas: nada permanece para sempre no mesmo estado.
A vida humana também é assim. Somos parte da natureza e estamos submetidos às suas fases. Há primavera e inverno, expansão e recolhimento, nascimento e morte, flores e espinhos.
A pequena flor no pessegueiro lembra que nenhuma queda é para sempre. Nenhum inverno dura eternamente. O sofrimento também passa. É aqui que a frase que havia aos pés da cama de Chico Xavier, “Tudo Passa”, ganha sentido.
Se tudo está ruim, calma: vai passar. Essa consciência não elimina a dor, mas impede que transformemos o sofrimento presente em uma sentença definitiva. É daí que nasce a esperança.
Assim como o pessegueiro não é apenas seu período seco, nós também não somos apenas aquilo que estamos vivendo hoje.
Mas “tudo passa” também ensina algo quando a vida está boa. Se tudo passa, aproveite. Faça agora. Ame agora. Esteja presente. Celebre e contemple o belo. Quando esse momento passar, permanecerá a paz de termos vivido plenamente o que nos foi oferecido. E o que f**a? O fortalecimento emocional, o poder imunológico que irá nos preparar para novos desafios. E eles virão.
Por isso, que algumas situações difíceis não devem ser, e como de fato não são, o resultado de uma escolha. Há acontecimentos que não podemos escolher ou controlar, porque nossos desejos nem sempre estão alinhados com aquilo de que realmente precisamos. A dor costuma ser a vida dando um empurrão para um despertar necessário, que, por vezes, tanto degligenciamos. Nem tudo o que queremos será aquilo de que precisamos; assim como nem tudo aquilo de que precisamos será o que desejamos.
O melhor antídoto talvez seja a aceitação: não passividade, acomodação, mas compreensão de que existem ciclos que não podemos interromper. O pessegueiro não luta contra o inverno nem exige flores fora de hora. Ele aceita o tempo, recolhe-se, transforma-se e espera. Depois, quando chega a estação certa, floresce novamente.
Por isso, não desanime. Talvez você esteja apenas vivendo o seu inverno. O fato de hoje parecer seco não signif**a que tenha perdido a capacidade de florescer. Os frutos sempre estão a caminho. E como disse um grande filósofo da humanidade: “Neste mundo tereis aflições, porém tende bom ânimo.” O ânimo está em saber que tudo passa. Na dor, esperança; na alegria, presença; diante do inevitável, aceitação.
Depois das flores virão os frutos. E depois dos frutos, novamente o recolhimento. Essa é a lei. Talvez a sabedoria esteja em aprender a viver dignamente cada estação da vida, com ânimo.
Coluna
Diógenes Chaves
Diógenes Treinamento Habilitados