15/09/2026
Os números são fortes. E não podem ser tratados como um conjunto de fragilidades individuais.
Pesquisa da Fundacentro, em parceria com a FENAJ, ouviu 257 jornalistas de diferentes regiões do país. Entre os participantes, 50,2% apresentaram sintomas de depressão; 47,9%, de insônia; 47,8%, de estresse; e 35,8%, de ansiedade.
O estudo também identificou que 37% estavam em situação de assédio moral, 30,4% relataram cyberbullying e 61,1% percebiam baixo apoio social no ambiente profissional.
Os dados não significam que todos os casos tenham sido provocados exclusivamente pelo trabalho. Mas revelam um cenário que exige olhar para a forma como o jornalismo está sendo organizado: equipes reduzidas, jornadas extensas, pressão por produtividade, vínculos precarizados e acúmulo de tarefas em diferentes plataformas.
Juridicamente, saúde mental também é saúde do trabalho. A NR-1 determina que as empresas identifiquem, avaliem e previnam riscos psicossociais como sobrecarga, assédio, metas abusivas e falta de autonomia.
Não basta oferecer palestras ou atendimento psicológico sem mudar as condições que adoecem.
Quando metade dos profissionais pesquisados apresenta sintomas de depressão, não estamos apenas diante de histórias individuais. Estamos diante de um alerta sobre o modelo de trabalho.
Cuidar da saúde de quem produz informação não é apenas uma boa prática. É dever jurídico.
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