17/12/2025
Você se acostumou a tantas urgências que esqueceu a delicadeza das suas próprias razões.
Corre porque precisa, porque o mundo gira rápido, porque a rotina te empurra, mas o que te sustenta mesmo são aquelas pequenas centelhas que você guardou como quem esconde fósforos num dia de chuva. O riso que te devolve ao corpo. O abraço que te devolve ao tempo. O desejo que te devolve à verdade.
Há algo em você que não aceita ser apenas movimento. Algo que pede sentido, quase como um pássaro encostando o bico na porta, insistindo no voo. Não abandone isso. É o que te mantém inteira enquanto todos pedem pedaços.
A vida pode estar corrida, mas seu coração não precisa acompanhar o ritmo do tumulto. De vez em quando, permita-se sentar ao lado da própria alma como quem visita uma amiga antiga. Escute o que ela tem tentado dizer enquanto você faz listas, resolve prazos, evita quedas.
Porque no fim, você não corre por velocidade. Corre por pertencimento. Corre para chegar onde sempre foi chamada. Corre para honrar a história que tua pele reconhece mesmo quando tua mente esquece.
E um dia, quando respirar fundo e olhar para trás, vai perceber que cada passo valeu porque te levou de volta para o lugar que sempre importou: você, enfim, vivendo o que faz sentido.
E isso, meu bem, jamais deve ser esquecido.
Texto e vídeo:
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