05/09/2026
Toda semana, centenas de histórias passam por aqui.
Algumas são divertidas, outras inusitadas. Algumas nos arrancam sorrisos. Outras nos fazem pensar. E existem aquelas que, de alguma maneira, ficam com a gente mesmo depois que a entrevista termina.
Nesta semana, entrevistei um venezuelano. Antes mesmo de falarmos sobre experiência profissional, já havia uma história inteira por trás daquele candidato.
A chegada ao Brasil, a adaptação, os desafios de recomeçar em um país diferente, a necessidade de reconstruir caminhos, criar novas possibilidades e seguir em frente, nada disso é simples.
E foi ali, no meio daquela conversa, que algo mexeu muito comigo.
A maneira como ele falava sobre o trabalho.
Não era apenas um emprego que ele buscava ou somente um salário no final do mês.
Para ele, o trabalho era aquilo que sempre falamos: sagrado.
A oportunidade representava muito mais do que uma vaga. Representava dignidade, independência, pertencimento a possibilidade de continuar construindo a própria vida em um novo país.
Ele falava do trabalho com uma gratidão que, confesso, me fez refletir.
Porque, para muitos de nós, que temos uma rotina, um emprego, uma profissão e tantas outras coisas que fazem parte do nosso cotidiano, às vezes esquecemos o tamanho do significado que uma oportunidade pode ter na vida de alguém.
Para quem está recomeçando, um trabalho pode ser uma porta.
Era a esperança de oferecer algo melhor para quem se ama.
E talvez seja por isso que, depois de tantos anos entrevistando pessoas, eu ainda me emocione com esse trabalho.
Porque nunca estamos apenas diante de um currículo.
Estamos diante de pessoas.
De histórias.
De medos, sonhos, perdas, recomeços e expectativas.
Saí dessa conversa pensando que, de vez em quando, precisamos olhar novamente para aquilo que já consideramos comum e que para outros é a chance de mudar de vida 😉.