08/10/2026
MEU EMPREGO SUMIU
A expressão “Meu emprego sumiu” representa muito mais do que a perda de uma vaga. Ela nos leva a refletir sobre as profundas mudanças que estão acontecendo no mercado de trabalho.
A tecnologia, a digitalização, a automação e a inteligência artificial estão transformando profissões, processos e, principalmente, as competências exigidas dos trabalhadores.
Diante disso, surge uma pergunta importante: estamos preparando as pessoas para essa nova realidade?
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em seu artigo 2º, estabelece que a educação deve promover o desenvolvimento do educando, prepará-lo para a cidadania e para sua qualificação para o trabalho.
Entretanto, muitos jovens concluem a educação básica sem preparação suficiente para enfrentar as exigências do mundo profissional atual.
Não significa que a escola deva preparar apenas para conseguir emprego. A educação possui uma função muito mais ampla. Porém, é necessário reconhecer que o mercado mudou e que novas competências passaram a ser necessárias.
Um dos desafios é o analfabetismo digital. Uma pessoa pode saber ler e escrever e, mesmo assim, ter dificuldades para utilizar sistemas, ferramentas digitais, pesquisar informações ou acompanhar novas tecnologias.
Ter um celular não significa necessariamente possuir competência digital.
Outro desafio é a qualificação profissional contínua. O trabalhador não pode considerar sua formação encerrada quando conclui a escola, um curso ou uma graduação. O mercado muda e exige aprendizado constante.
Mas essa responsabilidade não pode ser colocada apenas sobre o indivíduo. É preciso perguntar: ele teve acesso à educação, tecnologia e oportunidades de qualificação?
A revolução tecnológica não deve ser vista apenas como ameaça. Ela também pode criar oportunidades. O desafio é preparar as pessoas para aproveitá-las.
Por isso, precisamos fortalecer a educação básica, ampliar a inclusão digital e criar oportunidades permanentes de qualificação.
A preparação para o trabalho não deveria começar depois que o emprego desaparece.
Deveria começar muito antes.
Everaldo M. Souza
Educador Social